Comentário · PPA e CPC 15 / IFRS 3
PPA pós-aquisição: três erros recorrentes.
Auditor que revisa PPA todo trimestre desenvolve faro para os mesmos vícios. Três deles aparecem com frequência desproporcional em laudos de qualidade média.
Comentário · PPA e CPC 15 / IFRS 3
Auditor que revisa PPA todo trimestre desenvolve faro para os mesmos vícios. Três deles aparecem com frequência desproporcional em laudos de qualidade média.
Purchase Price Allocation virou trabalho recorrente no Brasil. A cada operação relevante de M&A, há uma alocação do preço de aquisição entre ativos identificáveis e goodwill que precisa sobreviver ao auditor e ao escrutínio fiscal. Os erros que aparecem são, em sua maioria, repetitivos.
A metodologia de royalty relief é função direta do royalty rate aplicado. Quando o avaliador usa um intervalo de 2% a 4% sem documentar comparáveis específicos do setor da operação, o auditor não tem como aceitar a premissa sem questionamento.
Comparáveis verdadeiros vêm de contratos de licenciamento divulgados, decisões judiciais com royalty determinado, ou bancos de dados setoriais como RoyaltyStat, ktMine ou Markables. O range precisa ter origem documentada e ser específico do nicho da marca, não da indústria geral.
O Multi-Period Excess Earnings Method (MPEEM) exige taxa de desconto específica do ativo, refletindo seu risco isolado. Aplicar a mesma taxa do DCF da empresa adquirida é erro técnico que ignora a hierarquia de risco entre ativos do balanço.
Customer relationships têm risco diferente da empresa como um todo. A taxa precisa ser superior ao WACC da empresa quando o ativo isolado tem volatilidade maior, e a justificativa precisa estar na CPC 04, não em rule of thumb.
A vida útil de marca, tecnologia ou carteira de clientes não é número canônico. É premissa que precisa ser sustentada por evidência empírica: curva de attrition de clientes, ciclo de obsolescência tecnológica observada no setor, expectativa contratual de licenciamento ou exclusividade.
Quando o laudo afirma "vida útil de 10 anos" sem cálculo de half-life ou pattern de decay, o auditor tem direito de pedir refazimento. O efeito sobre amortização e impairment subsequente é material.
O denominador comum dos três erros é o mesmo: premissa adotada sem fonte rastreável, com a expectativa de que ninguém perguntará. A defensabilidade do laudo está exatamente na resposta que o avaliador consegue dar quando a pergunta vem.