Guia de PPA da CBG — enquadramento, inventário de intangíveis, mensuração, WARA, TAB e a ponte entre os laudos societário e fiscal. Baixar (PDF) →
Dúvida sobre um caso concreto? Falar com a equipe →
Comentário Técnico · Linha editorial 01
Comentário técnico à Exposure Draft do IASB sobre divulgações de informações sobre goodwill: implicações para a prática brasileira de impairment recorrente sob CPC 01/IAS 36.
A Exposure Draft ED/2024/1 do International Accounting Standards Board propõe revisões substantivas no regime de divulgação de goodwill e seus testes de impairment. Após uma década de debate iniciado pelo Post-Implementation Review do IFRS 3, o IASB optou por manter o modelo de impairment-only (rejeitando o retorno à amortização sistemática) e propôs um pacote ampliado de divulgações qualitativas e quantitativas sobre o desempenho real das aquisições.
"O IASB manteve o modelo impairment-only, mas elevou o ônus probatório do management. A nova arquitetura de disclosure obriga a companhia a contar a história econômica da aquisição: não apenas o teste técnico do impairment."
O texto da ED articula-se em três eixos de mudança que impactam diretamente a prática de impairment no Brasil:
O Brasil seguirá o pacote via CPC, mantendo a tradição de convergência integral. Para companhias listadas e fechadas com goodwill relevante em balanço, a mudança é substancial. O teste anual de impairment, hoje conduzido com frequência como exercício técnico isolado, passa a integrar uma narrativa de prestação de contas estratégica continuada. O "porquê pagamos esse preço" precisa ser memorial vivo: não apenas memória da diligência.
Para o departamento de valuation interno, o CFO e o Comitê de Auditoria, isso significa três frentes de preparação: (i) reconstrução do business case original de cada aquisição relevante para uso como baseline comparativo, (ii) ajuste do framework de impairment para incorporar análise de variance estratégica, e (iii) integração entre time de M&A e time contábil para garantir documentação consistente do thesis-to-results.
A redação da ED deixa em aberto algumas zonas de definição que merecem comentário formal. O conceito de "Cash-Generating Unit" para fins de divulgação não está alinhado com a definição usada no teste de impairment: pode haver agregações diferentes para o mesmo grupo de ativos, gerando complexidade operacional. Além disso, a permissão de pre-tax cash flows com calibração à taxa de desconto pode introduzir inconsistências em práticas comparativas entre companhias, prejudicando peer benchmarking.
Comentário publicado originalmente no LinkedIn em 2025. Para discussão técnica ou aplicação em casos concretos, entre em contato.
Guia de PPA da CBG — enquadramento, inventário de intangíveis, mensuração, WARA, TAB e a ponte entre os laudos societário e fiscal. Baixar (PDF) →
Dúvida sobre um caso concreto? Falar com a equipe →